O Zicartola tinha uma das maiores concentrações de talento por metro quadrado que esse país já viu. Sobre Cartola e Dona Zica a gente já contou. Falemos agora dos outros personagens desse enredo.
ISMAEL SILVA
Um dos pais do gênero, Ismael Silva é fundador da Deixa Falar, considerada a primeira escola de samba. Foi ele, inclusive, que criou o termo “escola de samba”. Junto com Marçal e Bide, seus parceiros de Estácio, foi o responsável por colocar a percussão no samba, que na época era tocado no piano. É, meus amigos, samba e batuque, que hoje são quase sinônimos, é uma ideia de Ismael Silva. Seus principais sucessos são “Se Você Jurar” e “Antonico”.
NELSON CAVAQUINHO
Boêmio desde cedo, foi forçado pelo pai a ser policial. E assim recebeu a função de patrulhar os botecos dos morros cariocas. Não demorou muito para entrar para a turma do samba. É o autor de “Folhas Secas” e “Pranto do Poeta”, música eternizada por Cartola.
No Zicartola que foi concebido o espetáculo Opinião, no qual Zé Keti se apresentava ao lado de Nara Leão e João do Vale tocando as primeiras músicas de viés político feitas no Brasil. São dele os sucessos “A Voz do Morro”, “Diz que Fui Por Aí” e a marchinha “Máscara Negra”, aquela de “quanto riso, ó, quanto alegria”…
PAULINHO DA VIOLA
Um garoto tímido e franzino de 19 anos deixava todos impressionados quando tocava seu violão no Zicartola. Mas Zé Keti se incomodava: “Pô, Paulo César não é nome de sambista!”. O jornalista Sérgio Cabral então sugeriu: “Que tal Paulinho da Viola?”. E assim, no Zicartola, era batizado e surgia para o mundo um dos grandes mestres do samba.
CARLOS LYRA e NARA LEÃO
Bossa-novistas e porta-vozes do movimento estudantil, encontraram no Zicartola o ambiente que procuravam para disseminar suas ideias: um local de harmonia entre o morro e o asfalto, a zona sul e a zona norte, universitários e povão. Foram eles que levaram os sambista tradicionais para a classe média/alta da zona sul e trouxeram o apuro e a técnica do pessoal da Bossa Nova para o samba de morro.
HERMÍNIO BELLO DE CARVALHO
Produtor, poeta e compositor, Hermínio foi o responsável pela criação do espetáculo Rosa de Ouro, um musical imaginado a partir das experiências no Zicartola. O Rosa de Ouro foi encenado em um teatro de Botafogo, onde pela primeira vez a zona sul carioca viu e aplaudiu sambas e sambistas tradicionais. Hermínio também foi padrinho de casamento de Cartola e Dona Zica.
SÉRGIO CABRAL
Jornalista e um dos maiores pesquisadores da música popular brasileira, o pai do atual governador do Rio convidou, em 1963, Cartola, Ismael Silva e Nelson Cavaquinho para se apresentarem no programa que comandava na TV Rio. Antes confinados e desconhecidos, os sambistas chegavam à grande mídia. Foi muito próximo de Cartola e não saia da casa de samba do amigo.
Além desses, muitos outros bambas desfilaram pelo Zicartola. Talvez o mais folclórico deles tenha sido Carlos Cachaça, também fundador da Mangueira com Cartola e seu parceiro na autoria de músicas como “Alvorada”, “Tempos Idos” e “Quem Me Vê Sorrindo”. Certo dia no Zicartola, alguém pergunta a ele: “Seu apelido é Carlos Cachaça?”. Ao ouvir que sim, o curioso completa: “Mas me diz uma coisa: por que Carlos?”.



















